Sob a pressão da tripla jornada, do viés inconsciente e do burnout emocional, executivas e gestoras no DF e no Brasil enfrentam desafios silenciosos na busca pelo topo corporativo e político.
O avanço das mulheres em posições de decisão, na gestão pública e no ambiente corporativo é um dos maiores marcos de transformação social e econômica das últimas décadas. No entanto, por trás das conquistas, dos cargos de diretoria e das agendas repletas de compromissos, existe uma conta alta que raramente entra nos relatórios de desempenho: o custo invisível da liderança feminina.
Enquanto o mercado celebra a equidade de gênero nos discursos de governança e sustentabilidade (ESG), a rotina real de muitas executivas e gestoras no Distrito Federal e no Brasil continua marcada por barreiras estruturais, sobrecarga mental e um desgaste silencioso que afeta a saúde física, o bem-estar emocional e as relações pessoais.
A carga mental e a ilusão da "mulher maravilha"
Ao contrário de seus pares masculinos, a ascensão da mulher ao topo do mercado não costuma vir acompanhada da redistribuição das responsabilidades domésticas e familiares. O fenômeno da tripla jornada — que combina a alta performance profissional, a gestão do lar e a carga mental de cuidados (childcare e eldercare) — coloca as mulheres em um estado contínuo de alerta e exaustão.
O viés cultural de que a liderança feminina precisa demonstrar uma "perfeição inabalável" para ser respeitada gera uma pressão adicional. Para provar competência em ambientes historicamente masculinos, muitas gestoras acabam exigindo de si um padrão irreal de entrega, abrindo margem para quadros severos de burnout, ansiedade e a síndrome da impostora.
"O mercado exige que a mulher trabalhe como se não tivesse filhos e crie os filhos como se não tivesse trabalho. Romper esse ciclo de cobrança excessiva é o primeiro passo para construirmos uma liderança verdadeiramente sustentável."Especialistas em Gestão e Comportamento
O desafio da longevidade e da ascensão sem culpa
Outro ponto do custo invisível recai sobre as escolhas de carreira nos momentos decisivos da vida pessoal. Questões como maternidade, planejamento familiar e o teto de vidro (glass ceiling) ainda impõem dilemas complexos que raramente afetam a trajetória dos homens na mesma proporção.
Para garantir que mais mulheres alcancem e permaneçam em posições de comando, o ambiente corporativo e as instituições públicas precisam evoluir de apoios pontuais para reformas estruturais:
- Cultura de trabalho flexível e focada em resultadosFim da cultura do presencialismo tóxico, permitindo conciliação real de horários e entregas baseadas em eficiência.
- Redes de apoio institucionaisCriação de programas de mentoria, suporte à saúde mental especializado e políticas de parentalidade compartilhada dentro das organizações.
- Desconstrução de vieses inconscientesTreinamento contínuo para equipes e conselhos de administração, garantindo que a liderança feminina seja avaliada pelo seu impacto estratégico e não por estereótipos de gênero.
Uma pauta necessária para a coluna Mulheres & Protagonismo
Para a nossa coluna, lançar luz sobre o custo invisível da liderança não é um ato de vitimização, mas de lucidez e estratégia. Reconhecer que o topo não pode custar a saúde e a essência das mulheres é fundamental para desenhar um ambiente de negócios mais humano, justo e próspero para o Distrito Federal e para o país.
Reconhecer o custo invisível é o primeiro passo para construir um futuro mais justo, humano e próspero para o Distrito Federal e para o Brasil.
RibeiroVeil Advogados — Direito & Sociedade